Historia

A palavra paixão é a melhor para definir o jovem e já tão «velho» artista José Resende. Muito simplesmente porque esta bela e forte palavra vem do latim «patior» que quer dizer sofrimento. E não é disso que se trata? De tanto amar, de tanto querer fazer bem, atingir a
perfeição e dar prazer, de tanto trabalhar e dar, José Resende tem um longo caminho atrás dele feito de sofrimento mas de tanto amor. Esse caminho faz dele um autêntico artista, alguém que trabalha diariamente, que não caiu na sua profissão por andar perdido ou não ter queda para mais nada, pelo contrário, foi fazendo o seu percurso apaixonadamente, quase sem ninguém se dar conta da sua presença, para de repente, melhor surpreender. Pensar em José Resende, é pensar é alguém de constante, de firme e com presença vincada em Riba de Ave e agora em Santo Tirso.
Esse amor de José Resende começa com a admiração pela mãe, uma mãe cabeleireira que ofereceu ao seu filho o seu melhor terreno para «brincar»: o seu salão. Assim, feito pequeno Mozart, muito novo, José Resende brincava, criava e sonhava com os cabelos caídos no chão e com uma tesoura na mão. Apesar dos medos, do receio de se tornar cativo de uma Arte, pois como qualquer Arte exige dedicação, treino, esforço, criatividade mas sobretudo muito amor e entrega total, decidiu aperfeiçoar o que inicialmente era algo de divertido e natural.
Deste modo, seguiu uma formação profissional e veio a primeira grande oportunidade: aos 19 anos (já) José Resende vê-se oferecer um trabalho para a Saint-Karl, em Guimarães. O primeiro e necessário corte com a mãe, dois artistas debaixo do mesmo teto, um deles com desejos de altos voos, não podiam coexistir, pelo menos naquele momento… Rapidamente, torna-se um verdadeiro profissional com todo o percurso formal a que isto obriga.
Jovem e promissor, fez as suas provas em vários shows, festas da Associação de Cabeleireiros até que venceu a primeira eliminatória, em Braga, do Campeonato Nacional de Cabeleireiros.
E, contra todas as expectativas, pois tinha contra ele toda a experiência e fama dos seus colegas da capital, venceu em Lisboa na prova masculina e partiu para Las Vegas, para o Campeonato do Mundo, em representação de Portugal.
Essa vitória trouxe-lhe o que já merecia há algum tempo: o reconhecimento Nacional mas sobretudo o reconhecimento numa terra que ele ama particularmente, Riba de Ave, em Vila Nova de Famalicão, com todo o orgulho que esta proeza representava para a sua mãe…
A partir dessa proeza que o propulsou para as luzes da ribalta, o seu caminho tem vindo a construir-se, com muitas vitórias e algumas perdas, uma, muito dolorosa, o seu mentor, a sua fã número um, a sua mãe que tanto o apoiou e inconscientemente o orientou. Se aqui
estivesse, seria a mais orgulhosa das mães e ficaria admirativa perante este percurso. De facto, agora, é entre Paris, Milão ou Londres, que José Resende procura inspiração, técnicas e visões para os seus clientes. Com carinho, com a sua História e percurso de vida, é o melhor que ele quer oferecer. Eterno insatisfeito, luta constantemente e é nos seus salões que ele se sente bem, como em casa, no seu território, em Riba de Ave e em Santo Tirso.
Por todos estes motivos, quando se vai ao salão José Resende, não vamos cortar o cabelo ou fazer madeixas, etc, vamos tratar de nós, encontrar alguém que nos vai aconselhar, que nos vai conhecer para melhor encontrar o que nos fica bem, o que nos faz bem e o que nos irá tornar mais confiante porque mais belos. Numa entrevista que deu, José Resende dizia que «cortar o cabelo é como pintar um quadro», que «o cabeleireiro é como amigo que nos aconselha e que tenta realçar em nós o mais belo»… Com ele, é real, é só experimentar, uma vez, para ficar, para sempre.

Helena Machado

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